É uma necessidade quase inata a de rotular coisas. Coisas e pessoas. E na prévia, critérios de avaliação. Decidimos quais as regras que uma pessoa deve seguir para ser um bom pai, bom empregado, bom empresário. Quase tudo pode ser listado e publicado em um desses guias de bolso, do tipo "Como identificar um político corrupto".
 
O problema é que quaisquer normas criadas desconsideram um fator de extrema importância para a evolução do homem, e consequentemente da sociedade: a diversidade e potencialidades. Talvez o seu pai não seja o mais carinhoso do mundo e até tenha deixado suas pernas roxas naquele dia que você socou seu irmão até arrancar sangue, mas isso não significa que seja um mal pai. Mas a cartilha diz: "violência de qualquer tipo caracteriza pais despreparados e incompetentes". Pode ser também que o cara que trabalha com você não seja o mais pontual, mas seja capaz de escrever em três segundos o que você levaria um século pra fazer. Mas o manual diz: "quem não chega no horário é insubordinada, folgado e incompetente." Talvez seu amigo não seja bom em dar coselhos, prefira comer puta ao invés de te dar um apoio quando vc foi parar no hospital com problemas de estômago, mas foi ele quem teve um dente quebrado naquela briga do colégio. Mas o manual diz: "amigos que não acompanham o outro ao hospital são insensíveis, egocêntricos e incompetentes."
 
Normatizar a vida e pessoas nunca trouxe bons resultados para o mundo. Naturalmente é preciso estabelecer uma ordem das coisas, mas de modo a preservar as peculiaridades do indivíduo. Há séculos massificamos as pessoas, impomos as mesmas regras a todos, e o que consquistamos foi uma sociedade individualista, alienada e desorganizada.
 
Não conheço ainda nenhuma solução para a organização do caos, que não seja a própria consciência de cada um. Impor regras só fomenta a mentira e o famoso "jeitinho".
Fico triste quando percebo que ainda estamos longe da valorização do indivíduo e da capacidade que as pessoas podem ter de mobilizar milhões, se incetivadas a isso...
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